Peça uma batata frita para um agente de IA e você entrará num interrogatório:
-“Qual corte você prefere?” – “Tradicional.” – “Qual tamanho?” – “Média.” – “Algum molho?” – “Ketchup.” -“Quantas porções?”
Muitos tokens jogados fora e cinco turnos de conversa para um pedido que, num balcão, levaria menos de quinze segundos. Um chat é excelente para capturar intenção (“fritas”), mas é um meio terrivelmente ineficiente para capturar escolhas. É exatamente esse problema que o A2UI resolve.
O que é o A2UI
O A2UI (Agent-to-User Interface) é um protocolo aberto anunciado pelo Google no final de 2025, co-desenvolvido com o time do Flutter e com os times de produto do Gemini Enterprise. A ideia central: permitir que agentes de IA “falem UI”. Em vez de responder apenas com texto, o agente responde com uma descrição declarativa de interface, e o aplicativo do cliente renderiza essa interface com seus próprios componentes nativos.
O detalhe mais importante está no como isso é feito. O agente não envia HTML nem JavaScript. Ele envia um payload JSON que descreve componentes (cards, botões, seletores, campos), suas propriedades e um modelo de dados. Quem transforma isso em pixels é o app do lado do usuário, usando Angular, React, Flutter, Lit, SwiftUI ou o design system que já existir na casa.
Isso resolve três problemas de uma vez:
- Segurança: UI é tratada como dado, não como código executável. Um agente remoto, inclusive de outra empresa, pode apresentar uma interface rica sem nunca injetar código no seu app.
- Consistência de marca: o front-end mantém controle total sobre estilo e componentes. O agente descreve a intenção (“um seletor com três opções”) e o app renderiza no seu visual.
- Portabilidade: a mesma resposta do agente funciona na web, no mobile e em superfícies de terceiros, sem reescrever a lógica.
As mensagens A2UI trafegam por transportes como o protocolo A2A (Agent-to-Agent, hoje na Linux Foundation) ou o AG-UI, com streaming. A interface aparece progressivamente, em baixa latência. E o fluxo é de mão dupla: cada clique ou seleção do usuário volta como evento para o agente, que pode responder atualizando a interface em tempo real. A versão 0.9, lançada em 2026, trouxe SDK para agentes, biblioteca web compartilhada e renderers multiplataforma, com um recado claro: o agente deve dirigir o seu catálogo de componentes, não impor um novo.
Na prática: Tamago Dinner’s
Para ver isso funcionando na prática, experimente o Tamago Dinner’s.
Se você pedir: “Quero batatas fritas”.
Em vez de começar uminterrogatório, o agente responde com um card A2UI completo, “Monte sua Batata Frita”, renderizado nativamente no chat:
- Corte da batata: tradicional, rústica ou waffle (seleção única)
- Tamanho: pequena, média ou grande
- Molhos: ketchup, maionese verde, cheddar (seleção múltipla)
- Quantidade: campo numérico
- Ações: colocar no carrinho, ver carrinho, fechar pedido
- Total do carrinho atualizado ali mesmo, no topo do card
Repare em outro detalhe: logo abaixo do card, o agente ainda responde em texto, explicando as opções disponíveis. A conversa e interface gráfica ocorrem no mesmo fluxo, cada uma com o que faz de melhor. A linguagem natural captura a intenção; o componente visual captura a decisão.
Cinco turnos viraram um. Cada interação no card volta como evento estruturado para o agente, sem ambiguidade, sem “na verdade, muda pra grande” perdido no meio da conversa.
Como a experiência de compra muda
Quem trabalha com e-commerce e CX sabe onde a conversão morre: na fricção. Cada turno extra de conversa, cada pergunta repetida, cada mal-entendido de interpretação é uma chance de abandono. O A2UI ataca isso em várias frentes:
Menos atrito, mais conversão. Configurar um produto, escolher variações, agendar uma entrega. Tudo vira uma interação visual de segundos, dentro da própria conversa, sem redirecionar o cliente para outra página.
Dados estruturados desde a origem. O que chega ao agente não é texto livre para interpretar, e sim eventos com valores exatos: corte=tradicional, tamanho=média, molho=[ketchup], quantidade=1. Menos erro de pedido, menos retrabalho, integração direta com o backend de vendas.
Carrinho e checkout dentro do diálogo. O card da demo já mostra o total e oferece “fechar pedido”. A jornada inteira: descoberta, configuração e compra acontecem num único fluxo conversacional.
Upsell com contexto. Como o agente continua no comando, ele pode reagir às escolhas: selecionou cheddar? Ele pode renderizar, no turno seguinte, uma sugestão de combo, como um bom vendedor faria.
Pronto para o comércio agêntico. Estamos entrando na era da malha de agentes: agentes de empresas diferentes cooperando via A2A para resolver tarefas do usuário. Nesse cenário, o agente que faz o trabalho muitas vezes é remoto e precisa de um jeito seguro e interoperável de apresentar opções, coletar escolhas e fechar transações em qualquer superfície. O A2UI é exatamente essa camada.
Para quem constrói experiências digitais
Durante anos, tratamos “conversacional” e “interface gráfica” como mundos separados: o chatbot de um lado, o site do outro. O A2UI derruba essa parede: a interface passa a ser gerada sob demanda pelo agente, no formato exato da necessidade do cliente naquele momento, mas renderizada com a identidade e a segurança do seu produto.
Para times de CX, e-commerce e produto, a pergunta deixou de ser “devo ter um chatbot?” e passou a ser: quando meu cliente pedir “fritas”, o que ele vai ver?
Se você quer explorar como interfaces geradas por agentes podem entrar na jornada de compra da sua operação, fale com a Tamago! 🍟

