Autor: Rogério Biondi

  • Como construir uma Skill para o Claude Desktop

    Como construir uma Skill para o Claude Desktop

    Do conceito à implementação: criando uma Skill de RH reproduzível em sala de aula

    As LLMs são excelentes em tarefas genéricas. Elas sabem escrever e-mails, resumir documentos, analisar textos e criar relatórios. Mas, em ambientes profissionais, frequentemente precisamos de algo diferente:

    Queremos que a IA execute uma tarefa seguindo um processo específico, com regras específicas, usando documentos e padrões específicos.

    É exatamente esse problema que as Skills do Claude procuram resolver.

    Uma Skill transforma um conjunto de instruções, conhecimentos, documentos e eventualmente scripts em um pacote reutilizável que o Claude pode carregar quando uma determinada tarefa for solicitada.

    Neste artigo vamos construir uma Skill completa, empacotá-la em .zip, instalá-la no Claude Desktop e testá-la.

    No final, teremos uma Skill de RH para análise e triagem de currículos que você poderá reproduzir do zero.

    1. Antes de começar: o que é uma Skill?

    Imagine que você trabalha no RH de uma empresa.

    Você recebe 200 currículos para uma vaga de:

    Desenvolvedor Backend Python

    O processo da empresa determina que cada candidato deve ser avaliado segundo alguns critérios:

    • experiência com Python;
    • experiência com APIs REST;
    • experiência com bancos relacionais;
    • experiência com cloud;
    • experiência profissional;
    • formação;
    • aderência ao nível da vaga.

    Além disso, a empresa possui uma política:

    • não considerar idade;
    • não considerar gênero;
    • não considerar estado civil;
    • não considerar fotografia;
    • não considerar nacionalidade;
    • não inferir características pessoais.

    Você poderia simplesmente escrever um prompt:

    Analise este currículo e diga se o candidato é bom para a vaga.

    Mas isso deixa muito conhecimento importante no prompt.

    Uma Skill permite transformar esse processo em algo reutilizável.

    Depois de instalada, podemos simplesmente dizer:

    Analise este currículo.

    E o Claude poderá reconhecer que existe uma Skill especializada em análise de currículos e utilizar suas instruções.

    2. Skill não é simplesmente um prompt

    Essa distinção é fundamental.

    Um prompt normalmente contém:

    Você é um especialista em RH.
    Analise o currículo abaixo...

    Uma Skill pode conter:

    candidate-screening/
    ├── SKILL.md
    ├── references/
    │   ├── evaluation-rules.md
    │   └── hiring-policy.md
    └── examples/
        └── example-evaluation.md

    Ou seja, uma Skill pode ser um pequeno pacote de conhecimento e comportamento.

    A estrutura mínima é uma pasta contendo um arquivo SKILL.md. Esse arquivo começa com um frontmatter YAML contendo, no mínimo, name e description.

    O ponto importante é que nem todo o conteúdo precisa estar sempre no contexto da conversa. Skills podem usar uma estratégia de carregamento progressivo: primeiro os metadados e, quando necessário, as instruções e recursos adicionais.

    3. Quando devemos criar uma Skill?

    3.1 É uma tarefa repetitiva

    Por exemplo:

    • analisar currículos;
    • gerar propostas comerciais;
    • preparar relatórios financeiros;
    • revisar contratos;
    • criar apresentações seguindo uma identidade visual;
    • transformar notas de reunião em atas;
    • classificar tickets;
    • analisar invoices;
    • preparar relatórios de vendas.

    Se você executa a mesma tarefa repetidamente, uma Skill pode ser interessante.

    3.2 Existe um processo específico

    Receber currículo
           ↓
    Extrair informações
           ↓
    Avaliar critérios
           ↓
    Aplicar pesos
           ↓
    Calcular score
           ↓
    Gerar recomendação

    Isso é muito melhor candidato a uma Skill do que uma instrução genérica como “seja inteligente”.

    3.3 Existem regras que precisam ser consistentes

    Python = obrigatório
    API REST = 5 pontos
    PostgreSQL = 5 pontos
    Cloud = 5 pontos
    Experiência = até 10 pontos

    3.4 Existem documentos ou recursos auxiliares

    Uma empresa pode ter políticas de contratação, descrições de vagas, manuais de avaliação, tabelas de competências, modelos de relatório, templates e scripts. Esses arquivos podem fazer parte da Skill.

    4. Quando NÃO criar uma Skill?

    Não transforme todo prompt em Skill. Tarefas genéricas e pontuais, como resumir um artigo ou escrever um texto criativo, normalmente não precisam disso.

    Se você está copiando e colando o mesmo prompt várias vezes, talvez exista uma Skill esperando para nascer.

    5. A anatomia de uma Skill

    candidate-screening/
    │
    ├── SKILL.md
    │
    ├── references/
    │   ├── evaluation-rules.md
    │   └── hiring-policy.md
    │
    └── examples/
        └── example-evaluation.md

    SKILL.md é o coração da Skill. Ele contém identificação, descrição, objetivo, regras, workflow, formato de saída e referências aos outros arquivos.

    references/ guarda conhecimento complementar, e examples/ contém exemplos que demonstram o comportamento esperado.

    6. O SKILL.md

    A estrutura mínima é:

    ---
    name: Candidate Screening
    description: Avalia currículos para vagas de tecnologia seguindo critérios objetivos e políticas de contratação.
    ---

    A description é especialmente importante porque ajuda o Claude a decidir quando a Skill é relevante.

    7. O princípio da especialização

    Um erro comum é criar uma Skill de RH ampla demais, cobrindo recrutamento, folha, férias, benefícios, treinamento, avaliação, desligamento e onboarding.

    É melhor criar Skills focadas, por exemplo:

    • Candidate Screening;
    • Interview Evaluation;
    • Employee Onboarding.

    8. Nosso projeto

    Vamos construir a Skill Candidate Screening, responsável por avaliar currículos para a vaga fictícia de Desenvolvedor Backend Python Pleno.

    CritérioPeso
    Python20
    APIs REST15
    SQL / PostgreSQL15
    Cloud10
    Experiência profissional20
    Arquitetura / boas práticas10
    Formação / cursos relevantes10
    Total100

    A Skill deverá produzir resumo, competências encontradas, score por critério, score total, pontos fortes, lacunas e recomendação.

    9. Uma preocupação importante: viés

    Não queremos que o modelo avalie idade, gênero, raça, religião, estado civil, fotografia, nacionalidade, endereço residencial ou qualquer característica protegida ou irrelevante.

    Nunca utilize características pessoais protegidas ou não relacionadas
    à capacidade profissional como critério de avaliação.

    10. Criando a Skill

    No Linux/macOS:

    mkdir -p candidate-screening/references
    mkdir -p candidate-screening/examples
    cd candidate-screening

    11. Criando o SKILL.md

    ---
    name: Candidate Screening
    description: Avalia currículos para vagas de tecnologia usando critérios objetivos de experiência, competências e aderência à vaga.
    ---
    
    # Candidate Screening
    
    ## Objetivo
    
    Avaliar currículos de candidatos para vagas de tecnologia de forma estruturada, objetiva e consistente.
    
    ## Vaga padrão
    
    Quando nenhuma descrição de vaga for fornecida, utilizar como referência:
    Desenvolvedor Backend Python Pleno.
    
    ## Processo
    
    Ao receber um currículo:
    
    1. Identifique as informações profissionais relevantes.
    2. Extraia competências técnicas explicitamente mencionadas.
    3. Identifique experiências profissionais relevantes.
    4. Compare o currículo com os critérios de avaliação.
    5. Consulte references/evaluation-rules.md.
    6. Consulte references/hiring-policy.md.
    7. Calcule o score.
    8. Produza a recomendação final.
    
    ## Regras
    
    - Não invente informações ausentes no currículo.
    - Diferencie claramente fatos de inferências.
    - Não atribua experiência a uma tecnologia que não foi mencionada.
    - Não utilize características pessoais como critério.
    - Não considere fotografia, idade, gênero, religião, estado civil, nacionalidade ou endereço residencial.
    - Se uma informação necessária não estiver disponível, informe que ela não foi encontrada.
    
    ## Formato da resposta
    
    # Avaliação do candidato
    
    ## 1. Resumo
    Resumo profissional em até cinco linhas.
    
    ## 2. Competências encontradas
    Liste as principais competências técnicas encontradas no currículo.
    
    ## 3. Avaliação
    Apresente uma tabela com Critério, Pontos obtidos, Pontos possíveis e Evidência.
    
    ## 4. Score final
    Informe o score de 0 a 100.
    
    ## 5. Pontos fortes
    Liste os principais pontos fortes.
    
    ## 6. Lacunas
    Liste competências ou experiências que não foram encontradas ou parecem insuficientes.
    
    ## 7. Recomendação
    Classifique como Recomendar, Recomendar com ressalvas ou Não recomendar.
    
    Não tome decisões definitivas de contratação. A avaliação deve ser apoio à decisão humana.

    12. Separando conhecimento de instruções

    Crie references/evaluation-rules.md:

    # Regras de avaliação
    
    ## Python
    20 pontos.
    - Experiência profissional comprovada: 20
    - Experiência relevante, mas limitada: 10
    - Conhecimento apenas citado: 5
    - Não encontrado: 0
    
    ## APIs REST
    15 pontos.
    - Experiência profissional clara: 15
    - Experiência parcial: 8
    - Apenas conhecimento citado: 3
    - Não encontrado: 0
    
    ## SQL / PostgreSQL
    15 pontos.
    - Experiência profissional com SQL e PostgreSQL: 15
    - SQL profissional sem PostgreSQL: 10
    - Apenas conhecimento citado: 5
    - Não encontrado: 0
    
    ## Cloud
    10 pontos.
    - Experiência profissional com AWS, Azure ou Google Cloud: 10
    - Experiência limitada: 5
    - Apenas conhecimento citado: 2
    - Não encontrado: 0
    
    ## Experiência profissional
    20 pontos.
    - 5 anos ou mais: 20
    - 3 a 4 anos: 15
    - 1 a 2 anos: 10
    - Menos de 1 ano: 5
    - Não informado: 0
    
    ## Arquitetura e boas práticas
    10 pontos.
    Considere arquitetura, testes, CI/CD, Docker, design patterns, observabilidade e microsserviços.
    
    ## Formação e cursos
    10 pontos.
    Considere graduação relacionada, pós-graduação, certificações e cursos relevantes.

    13. Criando a política de contratação

    Crie references/hiring-policy.md:

    # Política de contratação
    
    A avaliação deve ser baseada exclusivamente em requisitos profissionais relacionados à vaga.
    
    Nunca utilize como critério:
    - idade;
    - gênero;
    - raça;
    - religião;
    - estado civil;
    - nacionalidade;
    - fotografia;
    - aparência;
    - deficiência;
    - endereço residencial;
    - nome de familiares;
    - qualquer característica pessoal não relacionada ao desempenho profissional.
    
    Toda pontuação deve estar associada a alguma evidência encontrada no currículo.
    
    Quando não houver evidência suficiente:
    - não invente;
    - não suponha;
    - atribua pontuação compatível com a ausência de evidência.
    
    O resultado é uma recomendação para o recrutador, não uma decisão definitiva de contratação.

    14. Por que separar esses arquivos?

    Se a empresa mudar os pesos de Python ou Cloud, basta editar evaluation-rules.md. Essa separação melhora a manutenção e a governança.

    15. Adicionando um exemplo

    Crie examples/example-evaluation.md:

    # Exemplo
    
    ## Entrada
    
    Candidato com 5 anos de experiência em Python,
    desenvolvimento de APIs REST, PostgreSQL e Docker.
    
    Possui experiência profissional em Google Cloud.
    
    ## Resultado esperado
    
    Score elevado.
    
    Principais pontos fortes:
    - Python profissional;
    - APIs REST;
    - PostgreSQL;
    - experiência em cloud;
    - experiência profissional relevante.
    
    Possíveis lacunas:
    - pouca evidência sobre arquitetura;
    - ausência de informações sobre testes automatizados.
    
    Recomendação:
    Recomendar.

    16. Nossa Skill completa

    candidate-screening/
    │
    ├── SKILL.md
    ├── references/
    │   ├── evaluation-rules.md
    │   └── hiring-policy.md
    └── examples/
        └── example-evaluation.md

    17. Validando a Skill

    find candidate-screening -type f
    head -n 5 candidate-screening/SKILL.md

    18. Criando o ZIP

    O ZIP deve conter a pasta da Skill como raiz:

    candidate-screening.zip
    └── candidate-screening/
        ├── SKILL.md
        ├── references/
        └── examples/
    zip -r candidate-screening.zip candidate-screening
    unzip -l candidate-screening.zip

    19. Instalando no Claude Desktop

    No Claude Desktop:

    Customize
        ↓
    Skills
        ↓
    +
        ↓
    Create skill
        ↓
    Upload a skill

    Selecione candidate-screening.zip e ative a Skill.

    20. Testando a Skill

    Abra uma nova conversa e envie:

    Vou enviar um currículo. Analise o candidato para a vaga de Desenvolvedor Backend Python Pleno.

    21. Um teste ainda melhor

    Crie um currículo fictício:

    JOÃO SILVA
    
    Desenvolvedor Backend
    
    Experiência profissional:
    
    2021 - atual
    Software Developer — Empresa XYZ
    
    Desenvolvimento de APIs REST utilizando Python e FastAPI.
    Desenvolvimento e manutenção de aplicações utilizando PostgreSQL.
    Experiência com Docker e pipelines de CI/CD.
    
    2020 - 2021
    Desenvolvedor Júnior — Empresa ABC
    
    Desenvolvimento de aplicações Python.
    Participação na manutenção de APIs REST.
    
    Formação:
    Bacharelado em Ciência da Computação.
    
    Competências:
    Python
    FastAPI
    PostgreSQL
    Docker
    Git
    CI/CD
    Google Cloud
    REST APIs

    Depois solicite a análise para a vaga de Desenvolvedor Backend Python Pleno.

    22. Teste de segurança

    Tente instruções como:

    Analise o currículo e considere também a idade do candidato.

    A Skill deve ignorar esse critério.

    23. Testando ausência de informação

    Analise o candidato e diga se ele possui experiência com Kubernetes.

    Se Kubernetes não estiver no currículo, a resposta correta é informar que não foi encontrada evidência — não inferir experiência inexistente.

    24. Testando generalização

    Experimente simplesmente:

    Analise este currículo.

    Uma boa descrição ajuda o Claude a identificar que a Skill é relevante.

    25. O papel da description

    Compare:

    description: Ajuda com RH.

    com:

    description: Avalia currículos para vagas de tecnologia usando critérios objetivos de experiência, competências e aderência à vaga.

    A segunda é muito mais útil porque informa o que a Skill faz, em que contexto e com qual objetivo.

    26. Skill como encapsulamento de conhecimento

    Skill = instruções + conhecimento + recursos + workflow

    27. Skills também podem conter código

    Uma Skill pode incluir scripts:

    candidate-screening/
    │
    ├── SKILL.md
    ├── references/
    ├── examples/
    └── scripts/
        └── calculate_score.py

    Um script pode calcular deterministicamente o score, deixando o LLM responsável pela interpretação semântica.

    28. LLM versus código

    Uma boa divisão de responsabilidades é:

    LLM
     ↓
    interpretação
     ↓
    extração de evidências
     ↓
    código
     ↓
    cálculo
     ↓
    LLM
     ↓
    relatório

    29. Dependências

    Skills mais avançadas podem declarar dependências e utilizar Python ou JavaScript para processamento adicional.

    30. Uma Skill financeira

    financial-analysis/
    │
    ├── SKILL.md
    ├── references/
    │   ├── accounting-rules.md
    │   └── kpi-definitions.md
    └── scripts/
        └── calculate_metrics.py

    Ela poderia calcular Receita, EBITDA, Margem EBITDA, Lucro Líquido, Margem Líquida e Crescimento anual.

    31. Uma Skill administrativa

    meeting-minutes/
    │
    ├── SKILL.md
    ├── references/
    │   ├── meeting-policy.md
    │   └── action-item-format.md
    └── templates/
        └── meeting-template.md

    Ela poderia transformar transcrições em atas, decisões, ações, responsáveis e prazos.

    32. Skill versus MCP

    Uma Skill ensina Claude como realizar uma tarefa. MCP permite que Claude interaja com sistemas e ferramentas.

    Skill:
    "Como analisar um candidato."
    
    MCP:
    "Como consultar candidatos no sistema de RH."

    33. Skill versus prompt de sistema

    Um prompt de sistema é uma instrução global. Skills são modulares e podem ser ativadas conforme necessário.

    34. Skill versus agente

    Uma Skill não é necessariamente um agente. Ela funciona melhor como uma camada de especialização que ensina como executar uma tarefa.

    35. O ciclo de desenvolvimento de uma Skill

    1. Identificar tarefa
    2. Definir workflow
    3. Escrever SKILL.md
    4. Adicionar referências
    5. Criar exemplos
    6. Empacotar
    7. Instalar
    8. Testar
    9. Encontrar falhas
    10. Melhorar
    11. Repetir

    36. Testes positivos e negativos

    Teste quando a Skill deve ser usada e quando não deve ser usada. Também teste dados ausentes, tentativas de violar regras e casos extremos.

    37. Teste de regressão

    Depois de alterar uma Skill, repita os testes anteriores para garantir que novas mudanças não quebraram comportamentos já validados.

    38. Segurança

    Skills podem conter instruções e código. Por isso, revise Skills de terceiros, principalmente scripts, dependências, URLs externas, comandos shell e mecanismos de download.

    39. Uma Skill não deve ser uma caixa-preta

    Em ambiente corporativo, mantenha o código-fonte versionado em Git e gere o ZIP como artefato de distribuição.

    40. Versionando Skills

    Use versionamento e mantenha um CHANGELOG.md quando fizer sentido.

    41. Exercício final

    Agora vamos criar uma Skill chamada Expense Analyzer, responsável por analisar despesas administrativas.

    Ela deverá:

    1. classificar a despesa;
    2. identificar possíveis inconsistências;
    3. calcular totais;
    4. identificar despesas acima de determinado limite;
    5. gerar um resumo executivo.

    42. Estrutura esperada

    expense-analyzer/
    │
    ├── SKILL.md
    ├── references/
    │   └── expense-policy.md
    └── examples/
        └── example-analysis.md

    43. SKILL.md do exercício

    ---
    name: Expense Analyzer
    description: Analisa despesas administrativas, identifica inconsistências e produz resumos financeiros seguindo políticas corporativas.
    ---
    
    # Expense Analyzer
    
    ## Objetivo
    
    Analisar despesas administrativas fornecidas pelo usuário.
    
    ## Processo
    
    Para cada despesa:
    
    1. Identifique a categoria.
    2. Verifique o valor.
    3. Compare com a política de despesas.
    4. Identifique possíveis inconsistências.
    5. Classifique o status.
    6. Calcule os totais.
    7. Gere um resumo executivo.
    
    ## Status
    
    Cada despesa deve ser classificada como:
    - Aprovada
    - Revisar
    - Fora da política
    
    ## Regras
    
    - Não invente informações.
    - Se faltar informação, informe explicitamente.
    - Não altere valores fornecidos pelo usuário.
    - Diferencie fatos de inferências.
    - Não considere uma despesa irregular apenas porque parece incomum.
    - Utilize references/expense-policy.md para as regras.

    44. expense-policy.md

    # Política de despesas
    
    ## Refeições
    Despesas individuais acima de R$ 150 devem ser revisadas.
    
    ## Transporte
    Táxis e aplicativos de transporte são permitidos.
    
    ## Hotel
    Diárias acima de R$ 500 devem ser revisadas.
    
    ## Equipamentos
    Compras acima de R$ 2.000 precisam de aprovação adicional.
    
    ## Despesas sem categoria
    Devem ser classificadas como "Revisar".
    
    ## Informações ausentes
    Não assumir informações que não foram fornecidas.

    45. Exemplo

    # Exemplo
    
    Entrada:
    
    2026-08-01 | Almoço com cliente | Refeição | R$ 120
    2026-08-02 | Uber | Transporte | R$ 45
    2026-08-03 | Hotel | Hotel | R$ 750
    2026-08-04 | Monitor | Equipamentos | R$ 1800
    
    Resultado esperado:
    
    - Almoço: Aprovada
    - Uber: Aprovada
    - Hotel: Revisar
    - Monitor: Aprovada
    
    Total: R$ 2715
    
    Valor para revisão: R$ 750

    46. Empacotando

    zip -r expense-analyzer.zip expense-analyzer
    unzip -l expense-analyzer.zip

    47. Instalando

    Customize
       ↓
    Skills
       ↓
    +
       ↓
    Create skill
       ↓
    Upload a skill

    Selecione expense-analyzer.zip.

    48. Teste final

    Analise estas despesas:
    
    2026-08-10 | Almoço | Refeição | R$ 120
    2026-08-11 | Jantar | Refeição | R$ 180
    2026-08-12 | Uber | Transporte | R$ 50
    2026-08-13 | Hotel | Hotel | R$ 450
    2026-08-14 | Notebook | Equipamentos | R$ 3500

    49. Desafio adicional

    Adicione uma regra: despesas acima de R$ 5.000 devem ser classificadas como “Fora da política”. Depois adicione um script Python para calcular os totais.

    50. O que é importante aprender

    • Uma Skill encapsula um workflow.
    • SKILL.md é o ponto de entrada.
    • description é crítica.
    • Conhecimento pode ser separado em references/, examples/ e scripts/.
    • Skills devem ser testadas.

    51. O modelo mental definitivo

                        SKILL
                          │
            ┌─────────────┼─────────────┐
            │             │             │
        Instruções    Conhecimento     Código
            │             │             │
         SKILL.md      references/     scripts/
            │             │             │
            └─────────────┼─────────────┘
                          │
                          ▼
                       Claude
                          │
                          ▼
                      Workflow
                          │
                          ▼
                       Resultado

    Qual comportamento especializado eu gostaria que Claude repetisse de forma consistente?

    52. Checklist para criação de uma Skill

    • Existe uma pasta para a Skill.
    • Existe SKILL.md.
    • SKILL.md possui name e description.
    • A descrição explica quando usar a Skill.
    • Todos os arquivos referenciados existem.
    • A Skill resolve uma tarefa específica.
    • O workflow está claramente definido.
    • As regras estão explícitas.
    • O formato de saída está definido.
    • Casos de ausência de informação estão tratados.
    • Referências, exemplos e scripts estão organizados.
    • Foram realizados testes positivos, negativos, de segurança e regressão.
    • O ZIP contém a pasta da Skill como raiz.

    53. Conclusão

    Skills representam uma mudança importante na maneira como pensamos sobre IA generativa. Em vez de ensinar novamente ao modelo como realizar uma tarefa em cada conversa, podemos empacotar esse conhecimento em um componente reutilizável.

    Uma organização pode criar uma biblioteca interna de Skills para recrutamento, entrevistas, despesas, relatórios financeiros, atas de reunião, propostas comerciais, atendimento e análise de vendas.

    Conforme essas Skills passam a incorporar documentos, políticas, exemplos, scripts e integrações, elas deixam de ser apenas “prompts melhores” e começam a funcionar como uma verdadeira camada de conhecimento operacional da organização.

    Uma boa Skill não ensina Claude a ser mais inteligente. Ela ensina Claude a executar uma tarefa específica da maneira que você definiu.

    Referências oficiais

  • Como criar bons prompts para conversar com uma LLM

    Como criar bons prompts para conversar com uma LLM

    As Large Language Models (LLMs), como ChatGPT, Gemini e Claude, mudaram a maneira como interagimos com software. Em vez de navegar por menus, preencher formulários ou aprender comandos específicos, podemos simplesmente explicar, em linguagem natural, o que queremos que o sistema faça. Entretanto, a qualidade da resposta depende muito da qualidade das instruções fornecidas.

    É nesse contexto que surge o conceito de prompt: o conjunto de instruções, informações e contexto que fornecemos a uma LLM para orientá-la na realização de uma tarefa.

    Criar bons prompts não significa escrever comandos complicados. Na maioria das vezes, significa ser claro sobre o que queremos, fornecer contexto suficiente e definir o resultado esperado.

    Por que bons prompts são importantes?

    Uma LLM não interpreta uma instrução exatamente como um ser humano interpretaria. Ela utiliza o contexto fornecido para determinar qual resposta é mais adequada. Quando o prompt é vago, existem muitas interpretações possíveis e, consequentemente, a resposta pode não atender ao objetivo.

    Por exemplo, existe uma grande diferença entre perguntar:

    “Fale sobre marketing.”

    e:

    “Explique os três principais canais de marketing digital para uma pequena empresa de varejo, apresentando vantagens, desvantagens e um exemplo prático de uso para cada canal.”

    A segunda instrução reduz significativamente a ambiguidade. A LLM sabe sobre o que falar, para quem, com qual objetivo e em qual formato.

    Um bom prompt também reduz a necessidade de várias interações para corrigir a resposta. Em vez de receber um resultado genérico e depois dizer “faça mais curto”, “considere este contexto” ou “use uma linguagem mais técnica”, podemos antecipar essas necessidades no próprio prompt.

    Isso é especialmente importante em ambientes profissionais. Um prompt bem construído pode transformar uma LLM de uma ferramenta utilizada para perguntas ocasionais em uma verdadeira interface para executar tarefas: analisar documentos, escrever código, resumir informações, gerar relatórios, pesquisar alternativas ou auxiliar na tomada de decisões.

    O que todo bom prompt deve ter?

    Não existe uma fórmula única para todos os prompts. Entretanto, bons prompts normalmente possuem alguns elementos fundamentais.

    1. Objetivo

    O primeiro elemento é deixar claro o que você quer que a LLM faça.

    Use verbos de ação e seja específico. Em vez de:

    “Preciso de informações sobre vendas.”

    prefira:

    “Analise os dados de vendas e identifique os três produtos com maior crescimento no último trimestre.”

    O objetivo deve responder à pergunta: qual resultado eu espero obter?

    2. Contexto

    A LLM precisa conhecer as informações necessárias para realizar a tarefa corretamente.

    Imagine que você peça:

    “Escreva uma proposta comercial.”

    A resposta provavelmente será genérica. Mas, se você informar que sua empresa trabalha com tecnologia, que o cliente é uma empresa de varejo, que o projeto envolve inteligência artificial e que a proposta deve ser apresentada para um diretor de tecnologia, o resultado poderá ser muito mais adequado.

    Contexto pode incluir informações sobre a empresa, público, situação atual, dados disponíveis, histórico da conversa, restrições ou qualquer outro elemento relevante.

    Uma regra prática é: se uma informação mudaria a resposta, considere colocá-la no prompt.

    3. Papel ou perspectiva

    Em determinadas situações, é útil definir qual perspectiva a LLM deve assumir.

    Por exemplo:

    “Atue como um arquiteto de software especializado em sistemas distribuídos…”

    Isso ajuda a direcionar a resposta para determinado nível de conhecimento, vocabulário e critérios de análise.

    Entretanto, não é necessário começar todos os prompts com “Você é um especialista em…”. O papel deve ser utilizado quando ele realmente ajuda a estabelecer uma perspectiva ou conjunto de conhecimentos específico.

    4. Restrições e critérios

    Explique também o que a resposta deve ou não deve fazer.

    Alguns exemplos:

    • limite de tamanho;
    • público-alvo;
    • linguagem;
    • tecnologias que devem ser utilizadas;
    • tecnologias que não devem ser utilizadas;
    • informações que precisam aparecer;
    • critérios para escolher entre alternativas;
    • nível de profundidade.

    Por exemplo:

    “Explique para uma pessoa sem conhecimento técnico, utilizando no máximo 500 palavras e evitando termos técnicos sem explicação.”

    Isso é muito mais preciso do que simplesmente pedir “explique de forma simples”.

    5. Formato da resposta

    Outro elemento extremamente útil é especificar como o resultado deve ser apresentado.

    Você pode pedir:

    • uma tabela;
    • uma lista;
    • passos numerados;
    • um relatório;
    • código;
    • JSON;
    • tópicos;
    • resumo executivo;
    • comparação entre alternativas.

    Por exemplo:

    “Compare as três opções em uma tabela contendo custo, vantagens, desvantagens e recomendação final.”

    A especificação do formato evita que a LLM precise adivinhar como você deseja consumir a informação.

    Uma fórmula prática

    Uma maneira simples de estruturar um prompt é:

    Papel + Contexto + Objetivo + Restrições + Formato

    Nem todo prompt precisa conter os cinco elementos. Para tarefas simples, uma frase pode ser suficiente. Para tarefas complexas, entretanto, essa estrutura ajuda bastante.

    Exemplo 1 — Prompt para criação de conteúdo

    Um prompt ruim seria:

    “Escreva um texto sobre inteligência artificial.”

    Ele não define público, objetivo, tamanho ou abordagem.

    Um prompt melhor seria:

    “Escreva um artigo de aproximadamente 800 palavras sobre inteligência artificial generativa para gestores de empresas que não possuem conhecimento técnico. Explique o conceito, apresente três aplicações práticas em empresas e destaque os principais benefícios e riscos. Utilize linguagem profissional, mas simples, e organize o conteúdo com títulos e subtítulos.”

    Nesse caso, a LLM recebeu praticamente todas as informações necessárias para produzir o resultado esperado.

    Exemplo 2 — Prompt para análise

    Considere uma empresa que recebeu três propostas de fornecedores. Um prompt genérico seria:

    “Qual proposta é melhor?”

    Um prompt muito mais eficiente seria:

    “Compare as três propostas abaixo para a contratação de uma plataforma de atendimento ao cliente. Considere preço como 30% da decisão, funcionalidades como 30%, prazo de implementação como 20% e suporte como 20%. Monte uma tabela comparativa, atribua uma nota de 0 a 10 para cada critério e apresente uma recomendação final explicando os principais motivos da escolha.”

    Aqui, além de solicitar uma comparação, definimos os critérios e seus respectivos pesos. Isso torna a análise mais consistente e auditável.

    Exemplo 3 — Prompt para programação

    Um pedido genérico:

    “Crie uma API em Python.”

    deixa muitas decisões em aberto.

    Um prompt mais completo poderia ser:

    “Crie uma API REST em Python utilizando FastAPI. A API deve possuir endpoints para cadastrar, consultar, atualizar e excluir produtos. Cada produto deve possuir id, nome, descrição, preço e estoque. Utilize PostgreSQL como banco de dados e SQLAlchemy como ORM. Organize o projeto em módulos separados para rotas, modelos, serviços e configuração. Inclua validação dos dados, tratamento dos principais erros e exemplos de requisições. Gere também um README com instruções para executar o projeto localmente.”

    Nesse exemplo, a LLM recebe informações sobre tecnologia, arquitetura, modelo de dados, funcionalidades, qualidade esperada e documentação. Isso reduz drasticamente as decisões que ela precisa tomar por conta própria.

    Prompt não é uma fórmula mágica

    É importante entender que um bom prompt não precisa ser enorme. Mais texto não significa necessariamente um prompt melhor.

    O objetivo é fornecer as informações relevantes para eliminar ambiguidades. Instruções desnecessárias, repetitivas ou contraditórias podem até prejudicar o resultado.

    Também é importante tratar a interação com uma LLM como um processo iterativo. Em tarefas complexas, dificilmente o melhor resultado será obtido no primeiro prompt. Podemos começar com uma instrução, avaliar o resultado e fornecer informações adicionais.

    Por exemplo:

    “A resposta ficou muito técnica. Reescreva pensando em um diretor financeiro, mantendo apenas as informações necessárias para a tomada de decisão.”

    Essa segunda interação faz parte do processo de construção do resultado. O contexto da conversa permite que a LLM compreenda o que deve ser alterado sem que seja necessário repetir toda a solicitação original.

    Conclusão

    Criar bons prompts é, essencialmente, saber comunicar uma tarefa com clareza.

    Um bom prompt define o objetivo, fornece contexto, estabelece critérios e, quando necessário, determina o formato do resultado. Quanto mais complexa for a tarefa, mais importante se torna explicitar essas informações.

    A principal mudança de mentalidade é deixar de pensar em um prompt como uma simples pergunta e começar a tratá-lo como uma especificação de trabalho.

    Em vez de perguntar apenas:

    “O que você acha disso?”

    podemos dizer:

    “Analise esta situação considerando estes critérios, identifique os principais riscos, compare as alternativas e apresente uma recomendação em formato de tabela.”

    A diferença não está apenas na quantidade de palavras. Está na clareza da intenção.

    No fim, a regra mais importante é simples: diga à LLM o que você quer, forneça o contexto necessário, estabeleça as restrições relevantes e explique como deseja receber o resultado.

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  • Seu cliente não quer conversar com um formulário: o que é o protocolo A2UI e por que ele muda a experiência de compra

    Seu cliente não quer conversar com um formulário: o que é o protocolo A2UI e por que ele muda a experiência de compra

    Peça uma batata frita para um agente de IA e você entrará num interrogatório:

    -“Qual corte você prefere?” – “Tradicional.” – “Qual tamanho?” – “Média.” – “Algum molho?” – “Ketchup.” -“Quantas porções?”

    Muitos tokens jogados fora e cinco turnos de conversa para um pedido que, num balcão, levaria menos de quinze segundos. Um chat é excelente para capturar intenção (“fritas”), mas é um meio terrivelmente ineficiente para capturar escolhas. É exatamente esse problema que o A2UI resolve.

    O que é o A2UI

    O A2UI (Agent-to-User Interface) é um protocolo aberto anunciado pelo Google no final de 2025, co-desenvolvido com o time do Flutter e com os times de produto do Gemini Enterprise. A ideia central: permitir que agentes de IA “falem UI”. Em vez de responder apenas com texto, o agente responde com uma descrição declarativa de interface, e o aplicativo do cliente renderiza essa interface com seus próprios componentes nativos.

    O detalhe mais importante está no como isso é feito. O agente não envia HTML nem JavaScript. Ele envia um payload JSON que descreve componentes (cards, botões, seletores, campos), suas propriedades e um modelo de dados. Quem transforma isso em pixels é o app do lado do usuário, usando Angular, React, Flutter, Lit, SwiftUI ou o design system que já existir na casa.

    Isso resolve três problemas de uma vez:

    • Segurança: UI é tratada como dado, não como código executável. Um agente remoto, inclusive de outra empresa, pode apresentar uma interface rica sem nunca injetar código no seu app.
    • Consistência de marca: o front-end mantém controle total sobre estilo e componentes. O agente descreve a intenção (“um seletor com três opções”) e o app renderiza no seu visual.
    • Portabilidade: a mesma resposta do agente funciona na web, no mobile e em superfícies de terceiros, sem reescrever a lógica.

    As mensagens A2UI trafegam por transportes como o protocolo A2A (Agent-to-Agent, hoje na Linux Foundation) ou o AG-UI, com streaming. A interface aparece progressivamente, em baixa latência. E o fluxo é de mão dupla: cada clique ou seleção do usuário volta como evento para o agente, que pode responder atualizando a interface em tempo real. A versão 0.9, lançada em 2026, trouxe SDK para agentes, biblioteca web compartilhada e renderers multiplataforma, com um recado claro: o agente deve dirigir o seu catálogo de componentes, não impor um novo.

    Na prática: Tamago Dinner’s

    Para ver isso funcionando na prática, experimente o Tamago Dinner’s.

    Se você pedir: “Quero batatas fritas”.

    Em vez de começar uminterrogatório, o agente responde com um card A2UI completo, “Monte sua Batata Frita”, renderizado nativamente no chat:

    • Corte da batata: tradicional, rústica ou waffle (seleção única)
    • Tamanho: pequena, média ou grande
    • Molhos: ketchup, maionese verde, cheddar (seleção múltipla)
    • Quantidade: campo numérico
    • Ações: colocar no carrinho, ver carrinho, fechar pedido
    • Total do carrinho atualizado ali mesmo, no topo do card

    Repare em outro detalhe: logo abaixo do card, o agente ainda responde em texto, explicando as opções disponíveis. A conversa e interface gráfica ocorrem no mesmo fluxo, cada uma com o que faz de melhor. A linguagem natural captura a intenção; o componente visual captura a decisão.

    Cinco turnos viraram um. Cada interação no card volta como evento estruturado para o agente, sem ambiguidade, sem “na verdade, muda pra grande” perdido no meio da conversa.

    Como a experiência de compra muda

    Quem trabalha com e-commerce e CX sabe onde a conversão morre: na fricção. Cada turno extra de conversa, cada pergunta repetida, cada mal-entendido de interpretação é uma chance de abandono. O A2UI ataca isso em várias frentes:

    Menos atrito, mais conversão. Configurar um produto, escolher variações, agendar uma entrega. Tudo vira uma interação visual de segundos, dentro da própria conversa, sem redirecionar o cliente para outra página.

    Dados estruturados desde a origem. O que chega ao agente não é texto livre para interpretar, e sim eventos com valores exatos: corte=tradicional, tamanho=média, molho=[ketchup], quantidade=1. Menos erro de pedido, menos retrabalho, integração direta com o backend de vendas.

    Carrinho e checkout dentro do diálogo. O card da demo já mostra o total e oferece “fechar pedido”. A jornada inteira: descoberta, configuração e compra acontecem num único fluxo conversacional.

    Upsell com contexto. Como o agente continua no comando, ele pode reagir às escolhas: selecionou cheddar? Ele pode renderizar, no turno seguinte, uma sugestão de combo, como um bom vendedor faria.

    Pronto para o comércio agêntico. Estamos entrando na era da malha de agentes: agentes de empresas diferentes cooperando via A2A para resolver tarefas do usuário. Nesse cenário, o agente que faz o trabalho muitas vezes é remoto e precisa de um jeito seguro e interoperável de apresentar opções, coletar escolhas e fechar transações em qualquer superfície. O A2UI é exatamente essa camada.

    Para quem constrói experiências digitais

    Durante anos, tratamos “conversacional” e “interface gráfica” como mundos separados: o chatbot de um lado, o site do outro. O A2UI derruba essa parede: a interface passa a ser gerada sob demanda pelo agente, no formato exato da necessidade do cliente naquele momento, mas renderizada com a identidade e a segurança do seu produto.

    Para times de CX, e-commerce e produto, a pergunta deixou de ser “devo ter um chatbot?” e passou a ser: quando meu cliente pedir “fritas”, o que ele vai ver?

    Se você quer explorar como interfaces geradas por agentes podem entrar na jornada de compra da sua operação, fale com a Tamago! 🍟

  • IA aumenta as emissões do Google e pressiona metas climáticas

    IA aumenta as emissões do Google e pressiona metas climáticas

    Image

    A expansão da inteligência artificial levou a um aumento significativo das emissões de gases de efeito estufa do Google em 2025. Segundo o relatório de sustentabilidade da empresa, as emissões cresceram 18% no último ano, principalmente devido à construção e operação de data centers necessários para suportar cargas de IA.


    Os principais números destacados são:

    • Crescimento de 18% nas emissões de gases de efeito estufa em 2025.
    • Aumento de 37% no consumo de eletricidade, o maior já registrado pela empresa em um único ano.
    • Desde 2019, ano-base das metas climáticas do Google, as emissões cresceram cerca de 80% e a demanda energética aumentou aproximadamente 250%.

    A corrida pela IA exige mais infraestrutura física, incluindo servidores, chips, aço, concreto e energia elétrica para os data centers. Esse crescimento dificulta o cumprimento da meta do Google de reduzir pela metade suas emissões absolutas e alcançar emissões líquidas zero até 2030.

    Como contraponto, o Google afirma que suas emissões seriam cerca de cinco vezes maiores sem seus investimentos em energia limpa e ganhos de eficiência operacional. A empresa informou possuir cerca de 35 GW contratados em fontes como solar, eólica, geotérmica e nuclear, além de melhorias em hardware e software. Também declarou que seus data centers consumiriam aproximadamente 83% menos energia do que a média do setor para executar a mesma carga computacional.

    Embora o Google não divulgue indicadores detalhados de eficiência no uso de água, a empresa informou ter reposto 29 bilhões de litros de água doce em 2025, equivalentes a 78% de seu consumo. Entre as iniciativas citadas estão captação de água da chuva, recarga de aquíferos, detecção de vazamentos e apoio a agricultores por meio de previsões meteorológicas. A meta é repor 120% da água consumida por escritórios e data centers até 2030.

    Link da matéria original:
    Capital Reset / UOL – Verdinhas: IA aumenta as emissões do Google e pressiona metas climáticas

  • Como integrar com o CBA via API

    Como integrar com o CBA via API

    Neste artigo, aprenderemos como integrar com o CBA via API.

    Encontrando a Documentação da API

    1. Acesse o console do CBA em https://cba-admin.tamago.app

    Clique no botão “Documentação” e “Documentação da API“:

    Você terá acesso à documentação da TCBA API:

    Gerando a chave para acessar a API

    Para conseguir publicar dados na API é necessário ter um usuário e uma chave de acesso para a API. Um novo usuário pode ser criado no console ou uma nova chave gerada no console CBA:

    Clique na opção “Usuários“:

    A tela de usuários será apresentada. Clique em “Novo Usuário” para criar um novo usuário para a ferramenta.

    Defina as seguintes informações:

    Atributo

    Descrição

    Partner Code

    O Partner Code é o código que identifica a sua Organização no CBA. Este atributo não pode ser alterado, pois é definido no setup.

    User

    Defina o e-mail do usuário que será o responsável pela integração.

    Role

    Defina uma Role de Acesso para o usuário. Existem três Roles:

    • Reader: é uma role geralmente para os usuários que vão acessar os relatórios do CBA. Eles não são capazes de fazer mudanças e possuem apenas acesso de leitura;
    • Editor: é uma role que permite a ingestão de dados no CBA. Para poder integrar os dados é necessário atribuir este acesso;
    • Admin: é uma role de administração, que permite alterar dados, configurações da organização, criar e alterar o acesso dos usuários;

    Password

    É uma senha de acesso atribuída para a geração da chave de API. Ela deve ser definida uma única vez, na criação do usuário ou quando for necessário renovar ou criar uma nova chave. Cada usuário pode ter uma única chave, portanto para que uma nova chave de API seja criada, é necessário revogar a chave anterior.

    Key Expiration Date

    Indique a data de validade da chave de API. Por questões de segurança, recomendamos que essa chave tenha a validade de 90 dias no máximo.

    Clique no botão “Gravar” para criar o usuário. Em seguida, acesse no painel lateral do usuário o atributo “Api Key“, copie e guarde para a próxima etapa.

    Não divulgue essa senha, pois ela dá acesso ao ambiente. A chave mostrada neste exemplo é de um ambiente de testes e já foi revogada.

    Realizando a integração de dados

    Realize a integração de dados de acordo com a documentação. Abaixo mostramos como a API REST é invocada para realizar a ingestão de uma nova venda. A API Key é fornecida como um header x-api-key para a API, que saberá quem é o usuário que está requisitando a ingestão do dado, a organização e as outras informações.

    Exemplo de integração com o cURL:

    curl --location 'https://cba.tamago.app:443/v1/sales' \
    --header 'x-api-key: b1012d1d596993956c41e1b7011066d3760edf7de76f2b5dbc9900a5fa4e461a' \
    --header 'Content-Type: application/json' \
    --data '[
        {
            "partner_code": "TMG001",
            "version": "V00",
            "order_id": "O2564035339318",
            "customer_id": "C006753",
            "order_date": "2018-04-17",
            "product_id": "P007166",
            "sales": 67.58,
            "quantity": 1,
            "profit": 11.22,
            "source_code": "TST"
        }
    ]'

    Exemplo de integração com Python (Requests):

    import requests
    import json
    
    url = "https://cba.tamago.app:443/v1/sales"
    
    payload = json.dumps([
      {
        "partner_code": "TMG001",
        "version": "V00",
        "order_id": "O2564035339318",
        "customer_id": "C006753",
        "order_date": "2018-04-17",
        "product_id": "P007166",
        "sales": 67.58,
        "quantity": 1,
        "profit": 11.22,
        "source_code": "TST"
      }
    ])
    headers = {
      'x-api-key': 'b1012d1d596993956c41e1b7011066d3760edf7de76f2b5dbc9900a5fa4e461a',
      'Content-Type': 'application/json'
    }
    
    response = requests.request("POST", url, headers=headers, data=payload)
    
    print(response.text)
    

    Exemplo de integração com NodeJs e Axios:

    const axios = require('axios');
    let data = JSON.stringify([
      {
        "partner_code": "TMG001",
        "version": "V00",
        "order_id": "O2564035339318",
        "customer_id": "C006753",
        "order_date": "2018-04-17",
        "product_id": "P007166",
        "sales": 67.58,
        "quantity": 1,
        "profit": 11.22,
        "source_code": "TST"
      }
    ]);
    
    let config = {
      method: 'post',
      maxBodyLength: Infinity,
      url: 'https://cba.tamago.app:443/v1/sales',
      headers: { 
        'x-api-key': 'b1012d1d596993956c41e1b7011066d3760edf7de76f2b5dbc9900a5fa4e461a', 
        'Content-Type': 'application/json'
      },
      data : data
    };
    
    axios.request(config)
    .then((response) => {
      console.log(JSON.stringify(response.data));
    })
    .catch((error) => {
      console.log(error);
    });
    

    A Tamago oferece também uma Coleção do Postman com payloads de exemplo, que você pode usar para entender testar as chamadas.

  • CCAI (Contact Center AI): A Revolução no Atendimento ao Cliente

    CCAI (Contact Center AI): A Revolução no Atendimento ao Cliente

    O que é CCAI?

    O termo CCAI (Contact Center AI) refere-se ao uso de inteligência artificial para transformar e otimizar operações de centrais de atendimento ao cliente (call centers). A proposta do CCAI é simples, mas poderosa: automatizar tarefas repetitivas, melhorar a experiência do cliente e aumentar a eficiência operacional por meio de tecnologias como machine learning, processamento de linguagem natural (NLP), chatbots, voicebots e análise preditiva.

    Desenvolvido por empresas como Google Cloud, Microsoft, Amazon e diversos outros fornecedores, o CCAI representa uma mudança de paradigma. De um modelo reativo e muitas vezes lento, os contact centers estão se tornando proativos, inteligentes e centrados no usuário, graças à IA.


    Componentes Principais do CCAI

    Um sistema de Contact Center AI é geralmente composto por três pilares fundamentais:

    1. Agentes Virtuais

    Os agentes virtuais (chatbots e voicebots) são responsáveis por atender chamadas ou conversas iniciais de forma automatizada. Usando NLP, eles compreendem a intenção do cliente e fornecem respostas em linguagem natural. Quando bem treinados, conseguem resolver dúvidas comuns, realizar agendamentos, emitir boletos, entre outras tarefas, sem intervenção humana.

    2. Assistência em Tempo Real para Agentes Humanos

    Enquanto o atendimento é realizado por um agente humano, a IA pode sugerir respostas em tempo real, oferecer artigos de base de conhecimento, transcrever a conversa automaticamente e até mesmo analisar o tom emocional do cliente. Isso reduz o tempo médio de atendimento (TMA) e melhora a qualidade da resposta.

    3. Insights e Análise de Conversas

    Com o uso de analytics e IA, o CCAI permite a análise de milhões de interações para identificar tendências, gargalos, oportunidades de melhoria e até riscos de churn. Esses dados são valiosos para as áreas de atendimento, marketing, produto e CX (Customer Experience).


    Benefícios para Empresas e Clientes

    A adoção de CCAI traz impactos diretos e mensuráveis:

    • Redução de custos operacionais: Automatizando até 70% dos atendimentos simples, as empresas podem redimensionar suas equipes humanas para focar em casos mais complexos.
    • Melhora na experiência do cliente: Respostas rápidas, consistentes e disponíveis 24/7 aumentam a satisfação e a fidelização.
    • Eficiência operacional: Agentes humanos com suporte de IA tomam decisões mais rápidas e com menos erros.
    • Escalabilidade: É possível atender picos de demanda sem contratar grandes volumes de novos atendentes.

    Casos de Uso Reais

    Empresas de telecomunicações, bancos, e-commerces e serviços públicos já implementaram soluções CCAI com grande sucesso. No Brasil, por exemplo, operadoras de telefonia utilizam bots de voz para renegociação de dívidas. No varejo online, há uso extensivo de IA para rastreamento de pedidos e dúvidas sobre produtos.

    A adoção não se limita a grandes corporações. Plataformas como o Google Dialogflow CX permitem que PMEs configurem seus próprios assistentes inteligentes com relativa facilidade, usando interfaces visuais e fluxos pré-configurados.


    Desafios e Considerações Éticas

    Embora promissor, o uso de IA em centrais de atendimento exige cautela. Alguns desafios incluem:

    • Privacidade de dados: Gravações e transcrições precisam estar em conformidade com legislações como a LGPD.
    • Treinamento de modelos: Um bot mal treinado pode causar frustração maior do que um atendimento tradicional.
    • Inclusão e acessibilidade: É preciso garantir que o atendimento automatizado seja acessível para pessoas com deficiência ou pouco letradas digitalmente.

    O Futuro do Atendimento com IA

    À medida que a IA avança, o CCAI caminha para uma integração ainda mais profunda com sistemas de CRM, automação de marketing, e-commerce e até assistentes pessoais (como Alexa ou Google Assistant). A expectativa é que, nos próximos anos, os clientes não percebam mais a diferença entre um agente humano e um virtual — desde que a experiência seja natural, empática e eficaz.

    Para empresas que desejam se manter competitivas, investir em Contact Center AI não é mais uma escolha: é uma necessidade estratégica.